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Modernidade e Tecnologia
Em direção ao futuro primitivo II
Por Marcel Dias Pitelli [solaris2]30/06/2007

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Em direção ao futuro primitivo II
Será que o mundo como ilustravam as vinhetas e filmes
mudou? O velho jargão diz que a informação passou a ser duplicada em intervalos
de tempo cada vez menores. Será os nano chips ou um ser humano sistematizado
como nunca antes?
Primordial ao que viria sucedê-lo, o período que se
estende entre o final do século XIX e inicio do XX trouxe várias transformações
à vida em sociedade, aos modos de produção e escoamento de mercadorias. Por
certo, tudo mudou, inclusive as milenares culturas do Oriente. Na China, a
cidade de
Fengjie foi
submersa para a construção da
represa das Três Gargantas. O Muro das Lamentações pode ser acessado por
internet.

Primeiro aparelho de TV a ser comercializado
O frisson teve inicio com a invenção do tear na Inglaterra; após isso, veio a locomotiva, o saneamento e os sistemas de aquecimento/refrigeração. Sem esses artifícios, muitas coisas que na modernidade nos passam despercebidas [banalizadas] simplesmente não existiriam. Uma delas, o computador.

WOWvx da Philips com display em 3D
Com o entre - guerras, queiramos ou não, a produção
voltada para o arsenal bélico trouxe uma contribuição inestimável. A energia
nuclear, o nylon... A Guerra Fria foi um período em que se incrementou a
comunicação e a telefonia por conta da espionagem entre EUA e URSS. E assim
seguimos, a primeira faixa, a que compreende os anos 60 até meados de 80.
A partir daí, com a globalização, uma tamanha
complexidade dos fluxos fez com que duas realidade coabitassem: a que retoma o
retro, o clássico decô e nouveau, o parnasiano e os refaz para a modernidade; a
outra, e que mais nos interessa aqui, encenada a períodos cada vez mais curtos.
Não fosse a impressão que a Terra rotacionava mais rápido, muitos diziam que
estávamos próximos ao apocalipse. Dos anos 80 a 90, tivemos outra faixa
significativa e que foi se encurtando ao ponto da reinvenção se dar a cada 5,
2, um ano. A era em que se fala na reutilização do dirigível e, ao mesmo tempo,
na decadência do Concorde.

O sári e o Laptop
Não é para menos, se fôssemos representar os períodos
que se seguem a partir do final do século XIX, somente um tipo de função
poderia representá-los. Do primeiro modelo Ford, o uso do aço na construção
civil e o incremento dos transportes à televisão e o computador; acelerado esse
quadro, desenbocaremos no LCD, o flatron e digital, para a Apple e Microsoft,
Sony e Samsung. O que virá depois do display sensitivo? Não haveria outra forma
de representar as eras tecnológicas senão por uma ‘exponencial’.
Não é preciso recorrer às HQs dos anos cinqüenta para
presenciarmos tamanha ficção. Ela está na sucessão de quadros num DVD, na forma
como os aparelhos revolucionam inclusive a sociabilidade na nova era.
Compartilhamento é a palavra certa, P2P, banda larga e TI [Tecnologia da
Informação] para gerir tudo isso.

Fone compartilhado
Podemos não nos dar conta - entorpecidos ou
indiferentes -, mas, à medida que se sobrepõem os saltos tecnológicos,
configuram o espaço de tal forma, que neles nos desencontramos, reinstitui-se a
própria identidade. Uma gentil senhora, por exemplo, que foi viver dois anos no
interior e, ao retornar para seu apartamento no centro, talvez não veja mais a
mesma metrópole. Pode ser que tudo esteja em seu perfeito lugar, mas há uma
sensação de deslocamento. No outdoor que teria reluzindo em frente a sua
janela, que diferença faria, fosse um Motorola ou um ícone universal da moda, a
magreza? Isso se chegasse a seu apartamento; pois que teriam instalado um novo
modelo de elevador, ‘digital’.
Salvo os observadores do cotidiano, que se dedicam a
entender esses processos, precisamos é reconhecer que, fora o desgaste, talvez
não tenhamos plena condição de acompanhá-los como antes. Mal fomos introduzidos
ao DVD, já temos o HD DVD, o Blue-Ray. O Ipod ainda não pôde cair de preço no
Brasil, e ontem [29/06] já se lançou o Iphone. Os aparelhos celulares, sem
dúvida, compõem um grupo sempre renovado em períodos cada vez mais curtos,
sobretudo pelo público jovem, sempre em busca de status.

Iphone da Apple (Esquerda para direita: GoogleMap, página web, menu, MP3, ligação)
As novas regras? Para começar, o design há muito está
em alta, ainda mais que a função; o reto e simétrico pesam sobre o orgânico; o
prata, translúcido e preto só arrematam uma das mais inteligentes composições a
seduzir o consumidor moderno, ávido por status e diferenciação. São todos
elementos diretamente comunicados às novas escolhas de novos tons para as
tintas, a construção civil e decoração, a moda e as tendências da cirurgia
plástica mundial. Em contraponto, o retorno dos materiais naturais e a
preocupação com a reciclagem, o aquecimento global. E vejam, nem teríamos
riscado a ponta do iceberg.

Interior de concha; o design do futuro vem da natureza
Muito antes de pensarmos na desestruturação que tudo
isso nos proporciona, somos alvejados por valores nada inerentes a nós. Uma
sina nesta pós-modernidade: por mais que desejemos e a realidade assim nos
impute, não somos nem podemos ser perfeitos. Tentamos, e como pagamos caro por
isso. Os índices de ansiedade, depressão, suicídio, distúrbio alimentar...
Estão todos aí, gritando: Não seja o que você não é; conhece-te a ti mesmo!
Enquanto isso, as novelas e o som portátil [MP3] mais nos servem a simular
nosso maior desejo, somos deuses inquebrantáveis.
Movidos a fortes oscilações e tanta abstração, estamos
é sujeitos a todo um repensar da realidade. Não pela forma como o futuro nos
trará conforto e facilidades, mas como nos posicionaremos perante o excesso, os
gadgets e sua convergência. Será que faremos desse metal frio uma extensão de
nossa debilidade; pior, em que medida ele vai nos reconfigurar feito software,
nessa simbiose, carne e vazio? O que será nosso e o que será robótico? As novas
próteses, os métodos de reprodução de órgãos e procedimentos cirúrgicos pouco
invasivos, como se projetam para os anos, são apenas o inicio.

Andróide
Uma era de insegurança, em que se requer controle: do
ato de nascimento à morte, monitorados em todos os lugares e situações, por
câmeras e chips. Uma era em que não podemos e nem desejaremos cometer erros e
que, portanto, nos levarão a um novo sentido de aprendizado; de estimulantes
que teremos de consumir para não esmorecer; de frieza e indiferença para com o
outro. Mas espere! Nós já somos assim. Então, o que viria além da
pós-modernidade, do sarcasmo e individualismo?
O amor se fez sistêmico, os relacionamentos são tão
descartáveis quanto virtualizados. MSN, Orkut, My Space... Todos eles
revolucionaram a sociabilidade. Ao mesmo tempo, no entanto, erigiram esta
terrível ponte, entre aqueles que dominam os novos portais e o ‘resto‘, os que
simplesmente não podem compreender a nova linguagem simbólica.
Uma era em que se confessar triste ou confuso, em que
se reconhecer fracassado para os padrões, é mostrar-se suscetível; se não se
encontra um rival à altura, para quase tudo há diagnóstico e tratamento. Não
devemos nos preocupar. Interligadas ao sistema nervoso, as células robóticas
nos recomporão em doses alternadas de calmantes e estimulantes, uma provável
reencenação da vida cataplética em sanatório. O melhor disso tudo é que, ao
acaso de não conseguirmos dormir à noite, desligar a TV ou deixar de comprar,
ainda podemos nos confessar online. Que venham os Sitcoms, a comédia sarcástica
e a literatura do absurdo!
O texto publicado nesta coluna é de responsabilidade do autor, e pode não expressar a opinião total ou parcial do Hardware Profissional sobre o assunto.
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