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Modernidade e Tecnologia
Em direção ao futuro primitivo
Por Marcel Dias Pitelli [solaris2]22/06/2007

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Antes de tudo, agradecer ao Silvio que me foi muito cordial cedendo espaço aqui no site. Somente então, avisar que este primeiro não se trata de um ‘artigo’, em formato propriamente acadêmico, citações e outras firulas. Interdisciplinar, nele será exposta uma visão abrangente da modernidade e tecnologia, como vem impactando a humanidade e de que modo o dueto se projeta para as próximas décadas. Mas não se enganem. Aqui não veremos apenas luzes de neon e comodidades.
A começar, poderia buscar uma etimologia para a palavra ‘tecnologia’. Evidente, fora o fato de iniciá-lo de modo enfadonho - considerando que a tecnologia como hoje presenciamos, talvez venha a mudar o próprio significado do verbete -, quem sabe assim se criasse uma contradição com o próprio sentido.

Adaptação do Ipod para cruz
Inovação, novo; todas elas nos remetem a uma sensação de mudança [quase mágica], de reconfiguração do espaço visando sempre a suprir novas necessidades. Uma primeira pergunta a se fazer é o que prevalece, a tecnologia ditando os novos espaços ou estes clamando por novas necessidades. Mal teríamos respondido, nos perguntaríamos: até que ponto essas noções se cruzam com desejos, a própria noção de supérfluo?

Música na Jaqueta
Qualquer um se pegaria a pensar no sentido da palavra ‘necessidade’. Humanos imperfeitos e eternamente insatisfeitos, necessitados somos de comer, dormir, tomar água... A partir daí, se muito nos estendermos, para o carro do ano, o emprego dos sonhos, estaríamos falando em ‘desejos’, como se pronuncia a teoria microeconômica.
Nesse âmbito, parece-me que a tecnologia, sobretudo com o incremento da globalização, nos coloca esta problemática, oscila muito mais para atender nossos desejos. O fato é que o trabalho das mídias e o marketing vêm transfigurando essas noções para necessidades inalienáveis. Daí que somos todos ‘desesperados’ para suprir vontades nunca suficientes em si; que vem o nosso mais profundo desejo por dinheiro, que surgem sociedades e governos não só hipócritas, mas corruptos. Na era do ‘efêmero’, tudo vale para se satisfazer, mesmo que momentaneamente. Desde quando se precisou de um DVD - player ou porta - copos nos automóveis? Antes, luxo do consumidor americano; agora, um desejo de muitos.

Distorção de imagem
Ao acaso de pincelarmos uma criança do início do século XX e outra no final desse mesmo período, poderíamos fazer uma comparação; logo, perceberíamos que houve toda uma criação de noções estéticas e produtos buscando atender esse público em específico. Ou seja, enquanto nosso little Jhon jogava sua pelota de couro, fazia das caixas de desengordurante verdadeiras rampas para os carrinhos de tampinhas; Julian hoje tem à sua disposição um arsenal de brinquedos [eletrônicos], games, alimentos que lhe são específicos, um celular com skin do Scooby Doo e ‘Ringtones infantis’.
Temos que nos habituar: desde muito precoces, as crianças da modernidade serão atadas a estes novos sentidos de vida. Sem dúvida, e num prazo aí cada vez mais encurtado entre criações, a tecnologia nos traz toda uma noção de estética, nos fascina e cria uma dependência alienável. Afinal de contas, mesmo que muitos ousem calcá-los como dispensáveis - a TV e o computador -, o que seria de nós sem essas maravilhas?
Recordo-me do meu primeiro Atari, Megadrive, N64. Parei por aí. Não sei se arrependido ou insatisfeito, mas não pude nem quis seguir a vertigem da Sony, Microsoft e outras imageneers. Muito embora reconheça a inovação do Wii, persisti. Hoje, novamente volto a ceder, me perguntar se tanto os preciso como um prato de comida. É fato: como boa parte da população metropolitana, tornei-me um ‘game addicted’. Sem dúvida, é fascinante a atração que os meios virtuais em nos promove; desviar de uma realidade saturada, em decadência, de um imperialismo americano, de uma sociedade zumbi, que cala suas dores num vazio interminável de consumo. Mas essa, meus amigos, é história que vai ficando para um próximo artigo.
O texto publicado nesta coluna é de responsabilidade do autor, e pode não expressar a opinião total ou parcial do Hardware Profissional sobre o assunto.
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